Onde estão nossas “alamedas”?

Quem não se admira ao caminhar pelas famosas e agradáveis alamedas de São Paulo no bairro dos Jardins, onde a sombra criada pelas árvores quase centenárias traz ao sufocante clima da capital paulista uma paz encontrada em poucos lugares. E o que se falar então das alamedas europeias com seus álamos e plátanos criando um tapete de folhas pelo chão, que não incomodam e incorporam-se à paisagem de forma sutil e elegante.

Alameda significa, em rápida consulta ao dicionário, em rua ou avenida margeada de árvores, sua origem é europeia e a decorre dos famosos álamos (Populus nigra), espécie de árvore muito comum e de crescimento rápido naquele continente. No decorrer da história moderna, o homem por experiência aprendeu que as vias de circulação arborizadas tornam-se muito mais agradáveis do ponto de vista térmico e paisagístico. As alamedas configuram um fenômeno novo na história da humanidade e derivam da migração das pessoas para os centros urbanos, é como se o homem tentasse voltar para suas origens, sentindo-se perto do campo.

Infelizmente as cidades estão se tornando grandes ilhas de calor já que os raios solares são potencializados no asfalto e concreto das construções, tornando a temperatura em cidades como Araçatuba quase que insuportável, sem falar na falta de ventilação já que os edifícios, já frequentes, configuram verdadeiro bloqueio ao vento, prova disso que a temperatura na zona rural chega a menos de seis graus da registrada na cidade.

São inúmeros os benefícios da arborização urbana, desde a permeabilidade do solo, evitando as enchentes, até a contenção de encostas e barrancos em áreas consideradas de risco. Somente as árvores podem amenizar o calor e criar zonas de conforto reduzindo a sensação térmica para pedestres e motoristas, já que retêm muito a umidade.

Na experiência de participar do Clube da Árvore de Araçatuba há quase dez anos, verificamos uma tendência cultural em nossa região, onde parte da população entende que as árvores “causam sujeira” e dão muito trabalho, já que as raízes quebram as calçadas etc. Isso representa um sensível problema de educação e conscientização ambiental, que deve ser solucionado pelas escolas e organizações, mas, principalmente, através do exemplo dos pais.

A falta de planejamento na arborização urbana contribui para a população evitar o plantio de árvores, de forma que as espécies escolhidas devam ser adequadas ao local da plantação, respeitando-se as características da via pública. A recomendação antes de sair plantando é procurar informação especializada, bastando consultar o Clube de Árvore de Araçatuba (http://www.clubedaarvore.org.br) ou baixar o manual de arborização urbana da Prefeitura de São Paulo (www.prefeitura.sp.gov.br).

As folhas das árvores não são lixo! Elas se deterioram rapidamente e podem ser utilizadas facilmente na criação de terra vegetal e demais compostos orgânicos utilizados em jardins. Jamais devem ser queimadas porque além de perigo de incêndio, a emissão de fumaça e gases prejudicam a qualidade do ar e pode agravar doenças, principalmente de crianças e idosos como asma e bronquite.

Respondendo à pergunta do título, após pesquisa no cadastro municipal, verificamos que Araçatuba possui duas vias públicas denominas “alameda”, situadas no bairro Verde Parque e, em rápida visita, constatamos que pouquíssimas árvores estão plantadas. Independente da denominação do logradouro, já que o exemplo é apenas ilustrativo, pensamos e defendemos que devemos lutar para que nossa cidade tenha o charme e as árvores das alamedas que tanto admiramos em outros lugares.

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